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A abordagem fisioterapêutica do método Pilates

Introdução e histórico

     Este artigo tem como objetivo divulgar aos pacientes e profissionais o atual uso do Método Pilates, dentro da Fisioterapia, apresentando os meios de ação da técnica, que vem mostrando efetivos resultados na recuperação das funções músculo-esqueléticas, assim como seu uso clínico no trabalho postural e preventivo de inúmeros quadros álgicos e limitantes.
     Joseph Pilates nasceu no ano de 1880, na Alemanha. Desde cedo sofria de asma, raquitismo e febre reumática. Sua determinação o levou a estudar várias formas de exercícios, como, Ioga, técnicas gregas e romanas e fisiculturismo, levando-o a sistematizar ao longo dos vários anos um método de exercícios terapêuticos que conseguem atuar simultaneamente no fortalecimento, na flexibilidade e proporcionar sensação de tranqüilidade e bem estar.

Princípios fisiológicos

     Como princípio básico do Método Pilates identificamos o Controle do Centro. Joseph Pilates acreditava que o controle do centro era a essência do controle do movimento humano. Ele chamou o princípio de "Contrologia" e o definiu como a Ciência e a Arte de coordenar o desenvolvimento do corpo, mente e espírito, através de movimentos naturais sob o rígido controle da vontade.
     Este princípio busca o enrijecimento e fortalecimento do músculo abdominal transverso, músculo esse, intrínseco e estabilizador da coluna vertebral, que quando solicitado, além de proteger a coluna, faz com que os movimentos se tornem mais precisos, facilitando a correção postural e melhorando o movimento dinâmico.
O movimento deve ser realizado com o máximo de seu controle, deixando-o fluir de forma harmônica e sem interrupções, promovendo ao máximo uma estabilidade dinâmica, através da conscientização individual da sua imagem corporal.
     A função respiratória exerce um papel importante no Método, pois ela organiza o movimento. Dessa forma, promove uma conexão que transmite forças de modo eficaz através de todo o corpo. A interação de forças ou sinergia que existe entre o assoalho pélvico, região abdominal e torácica, permite uma conexão que é um dos componentes mais essenciais no sequenciamento de movimento.
     A partir daí, podemos afirmar que a respiração facilita a estabilização e a articulação da coluna, o deslizamento escapular, o controle do centro, o alongamento axial, estimula a oxigenação do sangue, favorecendo o sistema circulatório.

Utilizando a biomecânica da consciência corporal e do controle motor,
os exercícios de Pilates, alongam, flexibilizam, tonificam
e transformam o corpo, enquanto corrigem a postura.

     O Método Pilates não possui contra-indicações para a sua prática, porém devemos adotar precauções na aplicação do Método com vistas a identificar as características individuais de cada paciente.
     Disfunções do Sistema nervoso central e periférico continuam a serem investigados como fontes de patologias ortopédicas. O sistema nervoso pode se tornar temporariamente comprometido, se tornar isquêmico, e provocar sintomas de dor, parestesias, fraqueza e diminuição do controle motor.
     Normalmente estes sintomas e sinais apresentam um diagnóstico tradicional ortopédico, mas não respondem aos tratamentos ortopédicos tradicionais, como cinesioterapia, eletrotermoterapia e alongamento muscular. Praticantes do Método obtêm sucesso na diminuição dos sintomas através da mobilização do sistema nervoso e de seu tecido conectivo.
     Podemos supor que em casos onde os tratamentos mais tradicionais não funcionam (como imobilização para manter-se estático) funcionariam bem com o movimento, ou seja, com mobilização de articulação e tecido mole e exercícios de estabilização. O Método Pilates pode servir como técnica para mobilizar o sistema nervoso e seus tecidos conectivos adjacentes.

Se aos 30 anos você está encurtado e fora
de forma, você é um velho, se aos 60 anos você é forte e flexível, então você é jovem

 

Uma sessão de Pilates

     Em cada sessão é realizada uma série de exercícios elaborados por Fisioterapeutas, especializados no Método, em aparelhos específicos e no solo com o auxílio de bolas, rolos, elásticos e etc..
     Cada sessão tem duração aproximada de 60 (sessenta) minutos e ao término realiza-se um relaxamento final. A freqüência é diária ou de acordo com a necessidade individual do paciente.
     Os aparelhos utilizados no Método foram criados pelo próprio Joseph Pilates e visam gerar um ambiente de facilitação do movimento. Eles trabalham com molas (com exceção do Ladder Barrel) que geram a resistência graduada ao fortalecimento do músculo necessário ao movimento funcional. Os aparelhos utilizados no Método Pilates são: Studio Reformer, Clinical Reformer, Trapézio ou Cadillac, cadeira Combo, cadeira Wunda, Ladder Barrel e Unidade de Parede (Wall Unit, uma versão simplificada do Trapézio). Todos os aparelhos proporcionam os benefícios acima mencionados.

 

Conclusão

     O Método Pilates produz resultados significativos na recuperação e prevenção de patologias, dessa forma, deve ser encarado como mais um procedimento seguro dentro de inúmeros recursos fisioterapêuticos já existentes.
Os benefícios consistentes do Método, levaram alguns hospitais dos EUA, a adotarem seus princípios, assim como alguns aparelhos, em pacientes hospitalizados. De acordo com relatos, foi observada diminuição no tempo de internação.


Por: Por Dr. Paulo Geanetti, Dra. Michelle Ramos, Dra. Fernanda Pessurno, Dra. Marcelhy Villas, Dr. Sérgio Varella, Dra. Maria Cristina Ebole e Dra. Marisete Pilon - Fisioterapeutas

Fonte: CASA DE SAÚDE SÃO JOSÉ - JUL/AGO 2004

 

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